Brasil como protagonista da segurança alimentar global: insights do Fictor Day 2025

O Fictor Day 2025 reforçou o Brasil como protagonista da segurança alimentar global, destacando sua liderança produtiva, os desafios logísticos e de armazenagem, bem como o avanço da sustentabilidade e das finanças verdes no agronegócio. Veja o que falta para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro no mundo.

Data: 27/11/2025

O painel “Segurança Alimentar: o nosso papel na segurança alimentar global e a cadeia de distribuição” do Fictor Day 2025 reuniu especialistas em agronegócio, finanças e logística para discutir o futuro da produção de alimentos no Brasil, os desafios de armazenagem e a importância crescente da sustentabilidade nas cadeias agroalimentares.

Participaram deste painel:

O protagonismo do Brasil na produção global de alimentos

Destaques da produção nacional

Paulo Andrade apresentou um panorama sólido da liderança brasileira na produção mundial de alimentos. O país deve colher 350 milhões de toneladas de grãos em 2025, reforçando sua posição estratégica entre os maiores fornecedores globais.

Ele destacou números que refletem a supremacia brasileira em produtos essenciais:

  • Soja: 40% da produção mundial
  • Café: 38% da produção mundial
  • Suco de laranja: 70% da produção mundial

Dados da liderança brasileira no agro

Essas cadeias fazem do Brasil o quarto maior produtor de alimentos do mundo, utilizando apenas 9% do território nacional para lavouras, chegando a 19% quando somada a pecuária. Esse índice é muito inferior ao de outras regiões produtoras, como a Europa, que chega a 50% de território para uso agrícola.

Oportunidades para a agroindústria brasileira

Paulo reforçou a necessidade de ampliar a industrialização do setor agroalimentar. A agroindústria representa 5,7% do PIB brasileiro, revelando um grande potencial ainda a ser explorado na geração de valor, tecnologia, inovação e diversificação de produtos.

Infraestrutura, Logística e Armazenagem no Agronegócio

Dependência do transporte rodoviário

Apesar da excelência produtiva, Fernando Fialho chamou atenção para os gargalos logísticos que ainda limitam a competitividade brasileira. O Brasil depende intensamente do modal rodoviário, que responde por 65% do transporte de cargas, mas apenas 33% das rodovias são consideradas boas ou ótimas.

Essa dependência gera impactos diretos:

  • Aumento do custo do frete;
  • Perda de competitividade internacional;
  • Maior risco operacional;
  • Ineficiência no escoamento da produção;
  • Maior prejuízo com a sazonalidade da colheita.

Comparação com outras potências agrícolas

Fernando comparou a situação do Brasil com outras potências agrícolas como Estados Unidos, China e Rússia, que contam com malhas ferroviárias amplas, integradas e altamente eficientes, reduzindo custos logísticos e aumentando a confiabilidade.

Déficit de armazenagem e oportunidades de expansão

Outro ponto crítico apresentado foi o descompasso entre produção e armazenagem. Em 2011, o país conseguia armazenar quase 100% do que produzia; hoje, armazena menos de 60% da safra total, deixando produtores vulneráveis e dependentes de venda imediata.

O cenário se evidencia ainda mais ao observar a armazenagem dentro das fazendas:

  • Brasil: 18%
  • Argentina: 40%
  • União Europeia: 50%
  • Estados Unidos: 65%
  • Canadá: 85%

Essa disparidade reforça uma das maiores oportunidades do agronegócio brasileiro: expandir a armazenagem nas propriedades rurais, garantindo autonomia, eficiência logística e maior poder de negociação ao produtor.

Sustentabilidade e finanças verdes no agro brasileiro

Finanças verdes e novas demandas globais

Cinthia Bechelaine trouxe ao painel a integração essencial entre produção de alimentos e sustentabilidade, reforçando que cuidar da terra, garantir qualidade e adotar boas práticas ambientais é fundamental para a agricultura moderna. Sua fala ocorreu durante a semana pré-COP30, marcada por debates sobre clima em cidades como São Paulo.

Ela destacou o alto volume de recursos internacionais destinados a finanças verdes, especialmente ao setor agroalimentar. São trilhões de dólares disponíveis para projetos sérios, rastreáveis, transparentes e alinhados a práticas ESG.

Para acessar esses recursos, Cinthia reforçou que empresas e produtores precisam evoluir do foco em “o que produzir” para “como produzir”, adotando modelos sustentáveis que ampliem reputação, credibilidade e acesso a mercados internacionais mais exigentes, como a União Europeia.

Minas Gerais como referência nacional

Ao trazer o exemplo de Minas Gerais, Cinthia apresentou dados que demonstram a força da economia agrícola mineira:

  • O agronegócio representa quase 1/4 do PIB mineiro
  • Movimenta cerca de R$ 230 bilhões por ano
  • Gera aproximadamente 300 mil empregos diretos
  • O PIB agrícola ultrapassou o PIB da mineração, historicamente dominante
  • Minas produz 50% de todo o café brasileiro

O que os investidores verdes procuram no setor agrolimentar

Segundo ela, investidores verdes buscam:

  • Dados reais e auditáveis;
  • Rastreabilidade completa da cadeia;
  • Indicadores ambientais claros;
  • Transparência em todas as etapas;
  • Mensuração contínua do impacto socioambiental.

Ferramentas como agricultura de precisão, monitoramento ambiental, gestão de resíduos, mobilidade inteligente e tecnologia de rastreamento serão fundamentais para que o Brasil amplie sua competitividade e consolide sua liderança na transição para uma agricultura mais sustentável.

O compromisso da Fictor com o futuro da segurança alimentar global

A Fictor acredita que o Brasil tem um papel central no futuro da segurança alimentar global. Para isso, competitividade, infraestrutura e sustentabilidade precisam avançar de forma integrada.

Ao promover debates como o do Fictor Day 2025, reforçamos nosso compromisso com uma cadeia agroalimentar mais eficiente, inovadora e responsável, capaz de alimentar o mundo e, ao mesmo tempo, cuidar dele.

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